Como Fidelizar Através de Experiências Únicas

Como criar relações verdadeiras na sala de jantar e fidelizar clientes pela hospitalidade.

Há um exercício simples que todos os profissionais de sala deviam experimentar pelo menos uma vez.

No final do serviço, conseguir dizer uma coisa verdadeira sobre cada mesa que receberam.

Não sobre o que comeram. Nem sobre o vinho que escolheram. Sobre as pessoas.

Quem celebrava um aniversário. Quem estava de visita à cidade. Quem vinha pela primeira vez. Quem regressou porque tinha boas memórias. Quem prometeu voltar.

Parece um pequeno detalhe. Mas é precisamente nesses detalhes que nasce a verdadeira hospitalidade.

Servir não é o mesmo que cuidar

Na restauração, é comum confundirmos um bom serviço com hospitalidade.

Um bom serviço é técnico. É servir o prato certo, à temperatura certa, no momento certo. É conhecer a carta, abrir uma garrafa de vinho corretamente e garantir que o ritmo da refeição faz sentido.

Tudo isso é indispensável.

Mas a hospitalidade começa onde a técnica termina.

É quando o cliente sente que não é apenas mais uma mesa. Que alguém reparou nele. Que alguém esteve verdadeiramente presente durante a refeição.

É essa sensação que transforma uma refeição numa experiência.

As pessoas lembram-se de como as fizemos sentir

Quantas vezes ouvimos alguém dizer:

“A comida era boa, mas aquilo que realmente nos marcou foi a forma como fomos recebidos.”

Raramente um cliente regressa apenas porque o prato estava bem executado.

Volta porque se sentiu confortável.

Porque foi tratado com naturalidade.

Porque sentiu que era bem-vindo.

É por isso que a hospitalidade continua a ser uma das maiores vantagens competitivas que um restaurante pode ter. É difícil de copiar, não depende de equipamentos caros e cria relações que perduram muito para além daquela refeição.

O verdadeiro contacto acontece na conversa

Durante muitos anos habituámo-nos a uma pergunta quase automática.

“Estava tudo bom?”

Na maioria das vezes, ela é feita enquanto o colaborador já está a olhar para outro lado, à espera de ouvir um “sim”.

Não há conversa, curiosidade ou, na realidade, uma verdadeira “escuta”.

Criar relações exige mais do que cumprir um guião enquanto se recolhe um prato.

É olhar nos olhos, perceber o contexto daquela mesa, fazer perguntas genuínas e, sobretudo, estar disponível para ouvir a resposta.

Às vezes basta uma conversa de um minuto para transformar completamente a experiência de um cliente.

A hospitalidade também se treina

Há quem acredite que algumas pessoas “nascem” com jeito para lidar com clientes.

Nós acreditamos noutra coisa.

A hospitalidade é uma competência.

E, como qualquer competência, pode ser desenvolvida, ensinada, praticada…

Pode fazer parte da cultura de uma equipa.

Quando uma equipa percebe que o objetivo não é apenas servir refeições, mas criar boas experiências, a forma como trabalha muda completamente.

O desafio

No próximo serviço, experimente uma coisa diferente.

Não tenha como objetivo apenas servir todas as mesas sem erros.

Tenha como objetivo conhecer um pouco melhor cada pessoa que entrou no seu restaurante.

Descubra um nome.

Uma história.

Um motivo para aquela visita.

Um detalhe que lhe permita tratar aquele cliente como alguém único e não como mais uma conta no final do dia.

Pode parecer um pequeno gesto.

Mas são estes pequenos gestos que fazem um cliente escolher voltar.

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