Porque Aceitar uma Contraproposta Pode Ser um Erro

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Receber uma contraproposta pode ser encarado como um reconhecimento. Afinal, é bom saber que a empresa está disposta a fazer um esforço para manter alguém.

Mas também pode revelar algo menos positivo: a relação profissional só foi verdadeiramente valorizada quando chegou ao ponto de ruptura.

A contraproposta não é, por si só, um problema. Muitas vezes é apenas o sintoma de um desequilíbrio que já existia.

A perspetiva do colaborador

Para quem recebe uma contraproposta, a primeira reação costuma ser positiva. Há reconhecimento, um aumento salarial ou uma promessa de melhores condições.

Mas rapidamente surge outra questão:

“Se eu era assim tão importante, porque é que isto só aconteceu agora?”

Se a decisão de sair resultou apenas de uma questão salarial, a contraproposta pode resolver o problema.

Mas quando a origem está na liderança, no ambiente de trabalho, na falta de reconhecimento ou de perspetivas de crescimento, dificilmente um aumento altera aquilo que levou meses — ou anos — a construir.

A perspetiva do empregador

Do lado da empresa, a lógica também é simples.

Perder um bom colaborador significa recrutar, formar alguém novo, reorganizar a equipa e aceitar uma quebra temporária de desempenho.

Tentar evitar essa perda é perfeitamente natural.

Mas também aqui surge uma dúvida inevitável:

“Se ficou por mais dinheiro, o que o impedirá de sair na próxima proposta?”

A confiança deixa de ser exatamente a mesma.

O verdadeiro problema

O erro não está na contraproposta.

Está em chegar a esse ponto.

Quando uma empresa só reconhece o valor de uma pessoa depois da carta de demissão, provavelmente falhou na comunicação, no acompanhamento ou no reconhecimento.

Quando um colaborador utiliza propostas externas como forma de negociar internamente, também a relação deixou de assentar na confiança.

A contraproposta não cria o desequilíbrio.

Apenas o torna evidente.

Então, vale a pena aceitar?

Não existe uma resposta universal.

Se o problema era exclusivamente salarial e ambas as partes acreditam que a relação continua saudável, pode fazer sentido.

Mas se a decisão de sair nasceu de problemas de liderança, cultura, desgaste ou falta de confiança, dificilmente uma melhoria salarial resolverá aquilo que levou tanto tempo a deteriorar-se.

O que um gestor deve retirar daqui?

Mais importante do que decidir se faz ou não uma contraproposta, é perceber porque foi necessária.

As melhores empresas não descobrem quem são as pessoas importantes quando recebem uma carta de demissão. Descobrem-no muito antes, através de conversas regulares, feedback, reconhecimento e decisões coerentes.

Uma contraproposta pode evitar uma saída.

Mas dificilmente substitui uma cultura onde as pessoas não sentem necessidade de procurar reconhecimento apenas quando decidem partir.

Conclusão

Uma contraproposta pode parecer um elogio.

Muitas vezes é.

Mas também pode ser o sinal de que empregador e colaborador deixaram de falar quando ainda havia tempo para resolver os problemas.

Quando a única forma de valorizar alguém é impedir que saia, o verdadeiro desafio já não está na negociação.

Está na relação que foi construída até esse momento.

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