A Verdade Sobre Promoções: Quando a Mudança é Apenas de Nome

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Cargo muda, mas o trabalho continua exatamente igual.

Numa segunda-feira qualquer, o crachá do João mudou.

Na semana anterior era cozinheiro. Na segunda-feira seguinte passou a ser “Chef de Cozinha”.

Não houve festa. Não houve formação. Não houve aumento salarial. Nem sequer entrou alguém novo para a equipa.

O antigo chef saiu, e o João, por ser o único cozinheiro da casa, passou automaticamente a ocupar o lugar.

À primeira vista, parece uma promoção.

Na prática, mudou apenas o título.

O trabalho continuou o mesmo. A diferença é que agora, quando alguma coisa corre mal, a responsabilidade também passou a ser dele.

E esta história está longe de ser exceção.

Na restauração, é relativamente comum vermos profissionais assumirem cargos de maior responsabilidade sem que exista uma verdadeira preparação para isso. O raciocínio costuma ser simples: se já faz quase tudo, então também pode liderar.

Mas liderar nunca foi apenas fazer melhor aquilo que já se fazia.

É um trabalho diferente.

Um bom cozinheiro domina técnicas, organiza o seu posto e garante que o serviço corre bem. Um chefe de cozinha precisa, além disso, de gerir pessoas, distribuir trabalho, resolver conflitos, formar equipas, tomar decisões difíceis e responder pelos resultados da operação.

São competências completamente diferentes.

Promover alguém sem desenvolver estas capacidades não é reconhecer talento. É colocar uma pessoa perante um desafio para o qual ainda não foi preparada.

Muitas vezes, também não lhe são dadas as condições para crescer. O salário mantém-se praticamente igual, a equipa continua insuficiente e a autonomia para decidir é reduzida. O cargo muda, mas a estrutura permanece exatamente a mesma.

Aquilo que deveria ser um passo na carreira transforma-se numa acumulação de responsabilidades.

É aqui que muitas empresas confundem reconhecimento com atribuição de funções.

Dar um novo título pode ter algum valor simbólico, mas esse valor desaparece rapidamente quando não é acompanhado por formação, confiança, melhores condições e um plano claro de desenvolvimento.

Ao fim de alguns meses, o João continua a fazer inventários, continua a receber mercadorias, continua a cozinhar, continua a fechar a cozinha e continua, muitas vezes, a lavar a última panela antes de sair.

Só há uma diferença.

Agora também responde por tudo o resto.

Naturalmente, chega um momento em que a motivação desaparece. Não porque o João não queira crescer, mas porque percebe que lhe foi pedido mais sem que lhe tivesse sido dado o necessário para corresponder a esse desafio.

Segundo a Gallup, a falta de reconhecimento continua entre as principais razões que levam muitos profissionais a abandonar uma organização. Mas, neste caso, o problema vai além do reconhecimento.

O verdadeiro problema é criar responsabilidade sem oferecer estrutura.

É exigir liderança sem investir em líderes.

É esperar resultados diferentes mantendo exatamente as mesmas condições.

Promover alguém deve significar preparar essa pessoa para uma nova função, ajudá-la a desenvolver novas competências e criar condições para que tenha sucesso. Caso contrário, a promoção transforma-se apenas numa forma elegante de distribuir responsabilidades que ninguém quer assumir.

Infelizmente, esta história raramente termina bem.

O João acaba por sair.

A empresa fica surpreendida.

“E ele parecia tão motivado…”

Talvez estivesse.

Até perceber que lhe tinham dado um cargo novo, mas não uma carreira nova.

Porque ninguém permanece muito tempo onde apenas o nome evolui.

As pessoas ficam onde também evoluem as condições, a confiança e as oportunidades de crescimento.

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