A Despedida e Desistência Silenciosa: Quando o Problema É a Falta de Comunicação

Provavelmente não sabia, mas já existem designações para o comum “Estou-me nas tintas”. Foi e é trend, alvo de artigos e dissertações, e o fenómeno que qualquer pessoa que tenha mais de 24h de experiência em restauração sabe bem que é: Um funcionário que se está a “marimbar” para a empresa, ou a empresa (através do líder, chef, patrão, gestor) que deixa de “acreditar” em determinado funcionário e, secretamente (ou nem tanto assim), adoraria que ele se despedisse no próprio dia. Ora, pós-pandemia, e impulsionado pelas redes sociais, estas práticas ganharam atenção, nome e viralizaram: o “quiet quitting” (desistência silenciosa) e o “quiet firing” (despedimento silencioso), embora distintos, são reflexos de uma relação polarizada que expõe falhas graves na comunicação e na cultura organizacional. Vamos falar delas e pôr o dedo na ferida?

Quiet Quitting: Sinais e Causas

O horário do colaborador é das 9:00 às 17:00? Então, às 17:00 em ponto, ele está a sair do seu posto, cumprindo as suas tarefas mas nada além disso. O “quiet quitting” não é necessariamente um abandono da função, mas sim uma forma de afastamento emocional e profissional, onde o colaborador opta por cumprir apenas o essencial, muitas vezes como resposta a fatores como sobrecarga de trabalho ou falta de reconhecimento. Os sinais são claros: queda no desempenho, anulação da iniciativa, desmotivação evidente e ausência de envolvimento com os objetivos da empresa.

Este comportamento geralmente tem origem em fatores como:

  • Falta de feedback regular.
  • Cultura organizacional tóxica ou autoritária.
  • Desequilíbrio entre vida profissional e pessoal.
  • Percepção de que o esforço extra não é recompensado.

Quiet Firing: Uma Perspectiva Inversa

Por outro lado, o “quiet firing” ocorre quando os líderes ou gestores, consciente ou inconscientemente, criam condições, prepositadas, que levam os colaboradores a abandonar os seus postos. Isso pode incluir a retirada de responsabilidades significativas, exclusão de projetos importantes, ausência de oportunidades de progressão ou até uma comunicação negligente e desmotivadora. Embora nem sempre intencionais, certos comportamentos de gestão, como a exclusão de projetos ou a redução das responsabilidades, podem criar um ambiente onde o colaborador se sente negligenciado e, em última instância, levar a um afastamento progressivo ou até mesmo a um “quiet quitting”.

Alguns sinais do “quiet firing” incluem:

  • Falta de reconhecimento ou apoio.
  • Redução das horas ou do protagonismo no trabalho.
  • Ambiente de trabalho hostil ou pouco acolhedor.
  • Silêncio e exclusão.

As Duas Faces de Uma Mesma Moeda

Na Mesa Oito, acreditamos que tanto o “quiet quitting” quanto o “quiet firing” são sintomas de falhas na comunicação e na gestão, e defendemos que ambas as partes, tanto colaboradores quanto gestores, têm um papel fundamental na construção de um ambiente de trabalho saudável e produtivo. Não se trata de apontar culpas, mas de reconhecer que, muitas vezes, ambos os lados alimentam este ciclo negativo.

Gestores que não investem no desenvolvimento humano criam equipas desmotivadas. Colaboradores que se sentem negligenciados limitam a sua entrega e compromisso. Ninguém ganha com esta espiral negativa. O que podemos fazer para mudar isso?

Como Mitigar Este Ciclo Tóxico?

Para líderes e colaboradores, a solução reside no fortalecimento da comunicação e no desenvolvimento de uma cultura de respeito e empatia. Algumas sugestões práticas incluem:

Para Líderes e Gestores:

  • Promover Feedback Regular: Reconheça os esforços e ofereça críticas construtivas.
  • Investir em Formação: Ofereça oportunidades de crescimento e desenvolvimento.
  • Criar Espaços de Escuta: Abra canais para que os colaboradores partilhem preocupações.
  • Reconhecer e Valorizar: Celebre conquistas e envolva a equipa nas decisões estratégicas.

Para Colaboradores:

  • Comunicar de Forma Aberta: Expresse preocupações antes que se tornem insustentáveis.
  • Buscar Desenvolvimento Pessoal: Invista em si próprio para ampliar horizontes profissionais.
  • Alinhar Expectativas: Certifique-se de que compreende o que se espera de si e vice-versa.

Conclusão

Pela nossa experiência, a origem tanto do “quiet quitting” quanto do “quiet firing” é a falta de comunicação. E o primeiro sintoma é a redução do esforço, de parte a parte. Quando tanto líderes quanto colaboradores se comprometem a trabalhar em conjunto, com uma comunicação clara e uma cultura de respeito mútuo, cria-se o terreno ideal para o crescimento e sucesso de todos. No setor da restauração, onde o ritmo é intenso e as margens para erro são pequenas, esta abordagem não é apenas desejável, mas essencial.

Vamos falar, expressar o que sentimos perante os acontecimentos e resolver as coisas? Os clientes agradecem!

Fontes:
https://visao.pt/atualidade/sociedade/2022-10-05-depois-da-desistencia-silenciosa-chega-o-despedimento-silencioso/
https://visao.pt/atualidade/sociedade/2022-08-30-o-que-e-a-desistencia-silenciosa-a-mais-recente-tendencia-no-mundo-do-trabalho-alimentada-pelas-redes-sociais/
https://whatnext.law/2023/01/26/perspetiva-juridica-quiet-quitting-e-quiet-firing/
https://www.testgorilla.com/blog/quiet-quitting-quiet-firing/

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