Vinho Verde ou maduro? A verdade acima de tudo!
A resposta mais direta é simples: não há vinhos verdes nem maduros, pelo menos na oposição de um ao outro. Mas de onde surgiu esta distinção?
Talvez há uma ou duas décadas, o Vinho Verde era comummente conhecido como um vinho de baixo teor alcoólico, geralmente inferior a 12%, produzido na região demarcada que corresponde, maioritariamente, à antiga província de Entre Douro e Minho. Historicamente, o seu consumo estava mais associado às classes populares, enquanto monges e eclesiásticos preferiam o chamado “vinho maduro”, caracterizado por um teor alcoólico superior, podendo atingir os 16 ou 17%.
Existem, aliás, vários registos, desde o século XVIII, de tentativas de implementação do “maduro” na região de Entre Douro e Minho, procurando reduzir custos de transporte. Isto aconteceu já depois da criação da Região Demarcada do Douro, em 1756, a primeira região vitivinícola demarcada do mundo.
Um facto curioso é encontrar referências históricas à casta Alvarinho, em Monção, designada como “maduro de Monção”. Muito provavelmente, foi uma das primeiras castas da região a beneficiar de uma evolução significativa das técnicas de viticultura e vinificação, revelando um potencial que hoje é amplamente reconhecido.
Entretanto, a Região dos Vinhos Verdes evoluiu muito. Hoje encontramos vinhos frescos e leves, mas também vinhos complexos, estruturados e com capacidade de envelhecimento. Da mesma forma, outras regiões vitivinícolas portuguesas produzem vinhos elegantes, leves e de menor graduação alcoólica. A antiga associação entre “verde” e “leve”, ou “maduro” e “encorpado”, deixou há muito de fazer sentido.
O que importa reter é que a divisão entre “vinhos verdes” e “vinhos maduros” acabou por popularizar-se ao ponto de muitas pessoas confundirem uma região vitivinícola com um estilo de vinho. No entanto, os Vinhos Verdes são, simplesmente, uma das 14 regiões vitivinícolas de Portugal.
Mesmo que seja a sua região preferida, isso não justifica escrever “Vinho Maduro” na carta de vinhos para categorizar todas as restantes regiões. O Dão, o Douro, a Bairrada, Trás-os-Montes, o Alentejo ou qualquer outra merecem ser identificados pelo seu nome.
E se um cliente pedir um “vinho maduro”?
Não há necessidade de o corrigir. Há, isso sim, uma excelente oportunidade para partilhar a história desta expressão. Porque contextualizar as regiões demarcadas, o território e o património vitivinícola português é também uma forma de prestar um melhor serviço.

