Dry January: não é no copo, é na caixa mesmo

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Janeiro nunca foi um mês fácil. Excessos das festas, novas metas, apuros financeiros, etc etc. Mas isso é sempre assim, e nós continuarmos a fingir que somos “apanhados de surpresa”.
Na restauração, janeiro sempre foi um mês seco: muito antes de o Dry January se tornar uma tendência ligada ao consumo de álcool, o setor já conhecia bem este tipo de secura de movimento, de faturação ou de entusiasmo.
Todos os anos, mais ou menos pelas mesmas datas, repete-se o mesmo discurso: “este Janeiro está fraco”, “as pessoas não saem”, “o mercado está difícil”. Tudo isso é verdade, sim, mas tudo isso é previsível.
Pode não acreditar, mas Janeiro é um dos meses mais importantes do ano
Se há meses que disfarçam problemas, Janeiro faz o contrário: expõe-os:
E é aqui que muitos negócios cometem o erro clássico: tentar vender mais quando o mercado, claramente, quer menos.
Promoções apressadas, pressão extra sobre a equipa, mudanças feitas em cima do joelho, fogos a serem apagados… Tudo isto parte de uma ideia errada: a de que Janeiro precisa de ser combatido e contido, quando, na maioria dos casos, não precisa. Precisa de ser usado de forma inteligente.
O que Janeiro é, de facto, bom para fazer?
Janeiro é um dos raros momentos do ano em que a restauração pode abrandar sem culpa. E isso, bem aproveitado, tem um valor enorme.
É um bom mês para organizar férias de staff sem comprometer o serviço. Para dar descanso a quem passou meses a trabalhar em ritmo alto. Equipas que respiram em Janeiro chegam muito mais fortes à primavera e ao Verão.
É também um mês ideal para formação. Não aquela formação teórica que fica bonita no papel, mas formação prática: processos, comunicação interna, organização de cozinha, liderança em sala. Tudo aquilo que nunca acontece “quando há movimento”.
Janeiro é ainda um excelente mês para olhar para o menu sem emoção. Sem apego. Sem o ruído do serviço cheio. É quando faz mais sentido perguntar: este prato ainda justifica o espaço que ocupa? Este preço continua alinhado com os custos reais? Esta carta está a ajudar ou a complicar?
O mesmo vale para food & beverage cost, rácios e margens: Não para cortar cegamente, mas para perceber onde o dinheiro está a escorrer todos os meses sem ninguém dar por isso. Em Janeiro, os números falam mais alto porque há menos distrações.
Às vezes, faturar menos é faturar melhor 
Há uma ideia perigosa de que um bom mês é sempre um mês de vendas altas. Nem sempre é verdade. Um Janeiro bem gerido raramente é memorável na faturação, certo. Mas pode ser decisivo na rentabilidade do ano inteiro.
Às vezes, faturar melhor em Janeiro significa perder menos. Significa sair do mês com contas claras, equipas alinhadas e decisões tomadas. Significa usar o tempo para reforçar a estrutura em vez de tentar tapar buracos com esforço extra.
Janeiro não é o mês em que tudo se resolve, claro. Mas é o mês em que muita coisa se percebe.
No caso, onde se separam os amadores dos profissionais.

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